Por Mariana Magalhães (nº1)
Bem, resolvi contribuir com o grupo dessa vez, depois de conseguir relaxar com alguns cigarros que eu nem sei se é benéfico para o tempo de tratamento psiquiátrico ao qual tenho me submetido durante esses últimos sessenta dias, e confiando realmente na impessoalidade e sigilo que estão propostos aqui. Até porque já me certifiquei que falar, escrever, vindo de mim, só consigo fazer sobre mim. Aliás, tenho quase certeza de que Freud nada mais fez que escrever para ele, tentar resolver questões próprias, não tanto para resolver questões dos outros. Estou ouvindo Nando Reis agora. Bem, estou eu, o cigarro e a música e meus pensamentos tentando “contribuir para o grupo”, já que nada do que eu tenha feito nessa minha vida até hoje talvez não tenha contribuído para alguém, senão a mim mesma. Neste exato momento tenho duvidado da eficiência da psicanálise, apesar do meu legítimo interesse por ela. Mas a questão na qual me encontro agora é a solidão, e aí vem mil coisas na minha cabeça. Estou duvidando que quimicamente eu possa controlar os meus pensamentos só pelo uso de recaptadores de serotonina. Minha adorada psicanalista uma vez me disse que tenho mente de psicanalista, talvez pelos meus devaneios, minha sensibilidade de reconhecer algumas das minhas questões. Deixo claro , estou escrevendo sem pensar, com nos meus diários. Tenho ficado encantada com as informações que esse curso vem me trazendo, mas ao mesmo tempo tenho me cobrado muito a parte raciocinadora. Depois de ter descoberto que li e não consegui entender que Freud não era tão “romântico” quanto eu queria que ele fosse. O cara é um monstro, em todos os sentidos. A cabeça dele é um turbilhão de idéias, e interpretar ele é sim, muita loucura. Será que estou no lugar certo agora? A solidão é algo amedrontador para mim. E aí vem os melhores e piores pensamentos que um ser humano é capaz de pensar. Não vou ousar reler isso depois de terminar! Estou insegura. O pior, estou sozinha! Será que todo mundo precisa de um porto seguro, será que ter recaídas num processo desse que estou passando é permitido? E o que não é permitido? Essa coisa de se permitir é muito chocante, para outras pessoas. Penso que o que ele (Freud) fez foi se permitir mesmo, mesmo que ele tenha dito que deixou de se permitir por muitas vezes. Uma vez cheguei a pensar que as sessões de psicanálise poderiam ser feitas por cartas. Olhe eu transgredindo o pai da psicanálise. Tenho mil outras questões a colocar, mas escreveria um livro, portanto isso basta. Sem falar da desordem geral das idéias aqui colocadas. Minha mente está a mil por hora de novo.
P.S. Confio na minha psicanalista, por isso estou aqui, tentando me inserir em novos mundos, sejam lá simbólicos, imaginários e o mais difícil, o real.
Mariana Magalhães

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