segunda-feira, dezembro 18, 2006

Por Mariana Magalhães(nº8)

Resolvi completar a minha casa , o meu desejo. Ganhei ontem um dálmata. Parece que ela me olha de duas formas, porque um olho seu é azul e outro verde, castanho... O dálmata parece um cão vira-lata, e esses são os melhores. Minha vida ganhou mais movimento. Silenciosíssima, curiosa ainda com seu novo ambiente. Coloquei-a para ouvir música e participar do meu silêncio, com o tempo vai aprender. São dóceis e caçadores cães dessa raça. Tenho a chamado de Dolto, minha Françoise, minha francesa. Tudo vai ficar completo, além dela tenho duas cadelas miniaturas, uma pinscher e uma poodle, cada uma com seu temperamento. Mas elas me compreendem nas suas limitações, respeitosamente. Sempre quando fico pensante demais desejo ser um cachorro, ter a leveza, não pensar. Às vezes é doloroso estar em psicanálise. Quando se chega num momento no qual as coisas parecem estar pintadas com lumicolor, não têm como escapar de seus olhos, não têm como escapar da interpretação e do entendimento. É um caminho sem volta. Fecho os olhos e penso, durmo, sonho, e trabalho assim mesmo. E tudo vai ficando mais complicado, mais denso. É caminho sem volta e sem fim... Talvez chegue o final das minhas sessões... Imagino algo orgasmático. Imagino. O que eu sinto agora é uma inspiração sem fim, o ar não sai de dentro de mim. Penso que se sair vai entrar em combustão, mesmo sabendo que o que sai de dentro já é uma combustão propriamente dita.

Mariana Magalhães