Por Potira Rocha(nº6)
Ontem meu pai passou mal, dor de cabeça, dor de barriga e vômito. Vou para a sessão, tudo fora da ordem, tudo um caos. Logo depois teria reunião administrativa mas preciso voltar para casa e levar minha mãe ao campo grande, reunião da igreja, e meu pai não poderia ir. Meus planos diziam: eu vou, levo minha mãe e volto pra confraria. Chego em casa, tudo errado. Meu pai pior, minha mãe a todo custo me fazendo cuidar dele e abrir mão de minhas coisas. Chuva de palavras, chuva de sentimento de culpa. Vamos ao hospital, chega a vizinha enfermeira, mede a pressão, dá remédio, ele fica melhor. A essa altura minha mãe já havia saído e eu ficado com ele. Raiva, porque eu abri mão das coisas importantes pra mim? Medo de que algo pior acontecesse e eu não estivesse por perto. Medo da morte do pai.
Potira Rocha
29/11/06

2 Comments:
meu pai sempre longe, lembro que pedi a ele certas coisas pra organizar minha vida porque sabia que iria cuidar dele quando ele estivesse mais velho, eu dizia a ele. Voce é autonomo, não contribui para uma aposentadoria, ganha muito mais não acumula, como acha que vai ser quando envelhecer? inversão de papeis.
Interessante ver escrito algo que se viveu junto. Naquele dia, ou melhor, noite, fiquei pensando em meus filhos e me perguntando qual mãe sou eu. Falei com Joao e ele disse rindo: qual é, minha mãe?
Nunca havia pensado nisso. Apenas fui sendo. As coisas acontecendo, a vida se fazendo viver. Percebi que ele também não havia pensado antes sobre que tipo de mãe ele tem. Simplesmente foi sendo filho, aceitando, às vezes reclamando,mas em geral sendo cuidadoso, amoroso.
Eu nem havia me dado conta que meus filhos são desse jeito e não de outro, que eu sou assim e não assado. Fiquei melancólica mesmo.
Que posição esquisita essa de ser mãe.
Conceição
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