sexta-feira, dezembro 08, 2006

Por Marcos Cândido(nº6)

Estou pesando neste momento sobre o corte. No ultimo Mundofreudiano usei disto que não sei definir para alem do nome corte. Imagino que o corte pode ser vivido, sentido, percebido ou interpretado como um mecanismo de poder. Poder dizer ao outro para parar de falar. Parar de falar para que a coisa fale. Pergunto-me porque cortei. Poder Imaginário? Exercício de mestria? Ou corte em nome do inconsciente? Nos encontros do Mundofreudiano... Novamente, somente do ponto de vista imaginário, por que ha encontro não ha Mundofreudiano. Então! Nos desencontros do Mundofreudiano, começo a ter mais claro quando devo, melhor dizendo tudo fica mais claro depois que cortei. O único momento em que o faço sabendo e quando se trata de garantir as regras fundamentais do Mundofreudiano: Falar em nome próprio e só de si falar; · Não discutir Não filosofar Associar livremente, et. No ultimo Mundofreudiano cortei. Depois, enquanto escrevo, dou-me conta que cortei a mim mesmo e meu gozo voierista. Não ao incesto, sua sedução, e quem sabe a loucura nos diria Dolto. No Mundofreudinao percebo-me, às vezes, tentando burlar o corte, e assim deixar de falar, o que nos propomos a fazer quando estamos em analise para não fazer sexo. Na analise podemos desejar tudo e colocar este desejo em palavras, mas não podemos fazer sexo. No ultimo Mundofreudiano, enquanto me preocupava em escutar os textos dos outros abri espaço para o meu inconsciente. Encontrei produzindo a seguinte serie, que pude, agora que escrevo, organizar da seguinte forma: Gira-sol ---->caminho de Assis----> que esta no lugar do nome de meu pai----->Francisco ----->Lua (minha mãe) Sou lunático-----> a lua cheia me excita-----> a lua como uma mulher idolatrada----->musica cantada por meu pai Metáfora do corpo feminino idolatrado ----->eu idolatra - paralisado diante do corpo feminino Acho que pela primeira vez no depois pude, no depois, escutar a mim mesmo no Mundofreudiano. Tagarelice do inconsciente pois quando comecei, pensei que estava falando do outro. Isto quer dizer que também pude falar. Acho que esta experiência de poder falar e me escutar em publico, produzir em publico um discurso intimamente Outro, como efeito e a parti publico-intimo e algo extremamente fascinante em minha experiência analítica. Algo que para mim só havia se dado no setting analítico tradicional onde o discurso e intimo e privado. Trata-se de ter podido encontrar o outro em publico. Isto me faz pensar na idéia de extimidade, ou seja, o Outro e a coisa mais intimamente estranha, estrangeira que possuo. Dar-se conta deste encontro publico com o Outro me faz sentir coragem.