Por Marcos Cândido(nº5)
Cartografia
Palavras faladas e escritas viravam
imagens de mim mesmo.
Na vida sem atos de dizer,
simulacro do meu desejo,
O outro nao se apresentou para o banquete.
Nao sei o que fazer
com toda a comida e bebida
preparada para a festa.
Lá onde a palavra falta,
um estranho se aprensenta
portando uma mensagem em língua
estrangeira e sem sentido para o meu ouvido cego.
Desencontro...
Eis o momento evidente do gozo!
Respondo ao meu proprio convite,
e banqueteio-me comigo mesmo.
Não vejo outra saída
que a de continuar
falando sobre o estrangeiro.
Quimera infantil de um prazer impossível.
Encontro fulgaz do qual
a cartografia é mais uma ilusão.
As coordenadas, ainda que se repitam,
sempre levam a outro lugar.
Marcos Cândido

2 Comments:
Banqueteio-me comigo mesma....ato masturbatório?
Este texto me comove.
A beleza que a palavra é capaz de produzir me envolve de uma forma que não precisa explicação. Meus banquetes faltosos compareceram, minhas dores sem saída escorregaram
devagar como um filme lento. Não tenho vontades nem tintas.
Conceição
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