sábado, dezembro 02, 2006

Por Marcos Cândido(nº5)

Cartografia

Na solidao fui traçando as tramas de um amor.

Palavras faladas e escritas viravam

imagens de mim mesmo.

Na vida sem atos de dizer,

simulacro do meu desejo,

O outro nao se apresentou para o banquete.

Nao sei o que fazer

com toda a comida e bebida

preparada para a festa.

Lá onde a palavra falta,

um estranho se aprensenta

portando uma mensagem em língua

estrangeira e sem sentido para o meu ouvido cego.

Desencontro...

Eis o momento evidente do gozo!

Respondo ao meu proprio convite,

e banqueteio-me comigo mesmo.

Não vejo outra saída

que a de continuar

falando sobre o estrangeiro.

Quimera infantil de um prazer impossível.

Encontro fulgaz do qual

a cartografia é mais uma ilusão.

As coordenadas, ainda que se repitam,

sempre levam a outro lugar.

Marcos Cândido

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Banqueteio-me comigo mesma....ato masturbatório?

2/12/06  
Anonymous Anônimo said...

Este texto me comove.
A beleza que a palavra é capaz de produzir me envolve de uma forma que não precisa explicação. Meus banquetes faltosos compareceram, minhas dores sem saída escorregaram
devagar como um filme lento. Não tenho vontades nem tintas.
Conceição

2/12/06  

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