sexta-feira, novembro 24, 2006

Por Mariana Magalhães(nº4)

Mais uma contribuição. Nem sei porque aceitei os papéis que a minha psicanalista me ofereceu. Engraçado, tinha os papéis, mas não a caneta. Corri atrás da caneta, mesmo sem saber o que estava com intenção de escrever. Mas ela me deu os papéis! E eu fui buscar a caneta! É assim que tem funcionado a psicanálise, o momento freudiano, minha vida agora, freudiana. Passei maus bocados esses dias, em crise, mas não uma crise propriamente dita, porque eu já tinha os papéis nas mãos, tinha também a caneta, mas não sabia como escrever. E aí tudo vira, revira e o me corpo começa a me cobrar: você não vai escrever?? Entendam, estou metaforizando! Que incrível, estou conseguindo metaforizar!! E o meu corpo cobrou-me novamente: se você não começar a escrever vou começar a enfraquecer... E eu o permiti. Vômitos, frio, enjôo, impaciência, choro contido... Ele foi respondendo, escrevendo por mim... “Olha, ela não está louca, está doente...” E eu permiti, mesmo estando lúcida, com papéis e caneta, mas não soube escrever durante esses últimos dias... Agora, sempre sábia e sensivelmente, minha psicanalista me doa os papéis, com o tem feito durante esses anos. Ela sabe que sei escrever sim e me emociono por sentir que é uma das poucas pessoas que conseguem entender a minha escrita, seja dita ou manuscrita. Não estou aqui por causa dela, mas pelos papéis que me foram oferecidos, pelas oportunidades pelas quais me deixei engajar, por estar buscando sentidos nos ditos e nos não-ditos. Por acreditar que sou capaz de vomitar coisas a me enriquecer e não a me congelar.

Mariana Magalhães

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

logo que li me remeti ao útimo texto que li no mundofreudiano, texto escrito sem saber o que escrever, como ir a uma sessao de análise. Mari, seu texto é como uma sessao de análise.

25/11/06  

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