domingo, novembro 19, 2006

Por Eduardo Sande(nº3)

O tamanho do beco sem saída ou a próxima fase do videogame

Tenho trabalhado no Mundofreudiano...

A temática, em geral versa sobre um retorno e um atravessamento fantasmático. A companhia dos sintomas, o revival dos sintomas, parece dar a este percurso os requisitos de uma experiência com o inconsciente. O sujeito inventado procura se reinventar preservando algo que é da ordem do adquirido com labor, com trabalho. Trabalho de reinvenção que procura preservar o trabalho da aprender. Aprender a que? Aprender a fazer. Fazer no sintoma. Aprender a saber-fazer com seu sintoma para fazer fora dele o que se fazia no seu interior.

Tomemos um de seus aspectos mais apreensíveis: tornou‑se ‘bem cultural corrente’ todo um conjunto de penduricalhos a que recentemente vieram se somar às adições químicas, Viagra por exemplo, para dar suporte àquilo que no mundo animal pode ser acionado apenas por uma fêmea no cio. Filmes, roupas íntimas, chavões linguageiros, fantasias explicitas ou inconfessáveis. O sujeito do sexo sendo definido, determinado culturalmente, midiaticamente. A necessidade de uma prótese no lugar onde antes funcionava apenas um curto circuito, ou melhor, um circuito curto. Veja que com isso não descarto o valor de todos estes penduricalhos, que sob certos aspectos me parecem muito interessantes, mas, apenas, questiono o seu poder de despontencializar o sujeito de um saber fazer fora do seu sintoma. O grande sintoma que somos, cada um de nós.

Voltar à entrada do beco sem saída para, talvez, entrar no próximo requereria redimensionar a proibição do incesto reduzindo‑o ao seu aspecto real. Desnudando‑o de suas vestes imaginárias e simbólicas.

A invenção de uma nova erótica, eu penso, segue este paradigma.

Aonde venho trabalhando, na direção que venho trabalhando, parece‑me muitas vezes como a busca de uma situação mítica. A busca do Santo Graal, vagina ou útero materno, ganha a consistência de um outro circuito de gozo. Abandonar, por um lapso de tempo, as garantias culturais ocidentais para uma recuperação de uma potência arcaica. Abandonar Apolo em benefício de Dionísio. Sem os penduricalhos dos cultos dionisíacos.

Eduardo Sande