segunda-feira, novembro 13, 2006

Por Eduardo Sande(nº2)

No último banquete do Mundofreudiano fui pego pela surpresa. Um dos participantes trazia em seu discurso determinados conteúdos que pareciam, a mim, é evidente, apontar para o ‘Dom’ e a ‘Bondade’. Algo que seria da natureza do que gerou a intervenção de Liliana outro dia: ‘Mas nem em uma praia deserta se pode morrer em paz’. Intervi com um fragmento de entrevista inicial e logo depois com um fragmento de minha própria análise em que me dava conta de um determinado viés sádico que consistia em uma refinada tortura intelectual do outro, processo este que só se findava no momento em que provocava, neste, o choro. A surpresa foi constatar que esta confissão gerou, a seguir, quatro falas sucessivas que davam conta de situações idênticas. Ainda não consigo dar conta da amplitude deste acontecimento. De início, parece‑me que aponta para a retomada de algo que gerou uma certa filosofia do humano na teoria psicanalítica e que se perdeu em seu aburguesamento e institucionalização. Este é mais um encontro marcado. Encontro que o Mundofreudiano veste para mim com os trajes do inesperado.

Eduardo Sande, 08/08/06