sábado, novembro 18, 2006

Por Mariana Magalhães(nº3)

Mais uma contribuição. A questão do ser canhoto, ou levogiro. Sempre ouvi: “essa menina faz tudo ao contrário!” ou “deixe que eu faço, essa sua mão toda torta...” ou “olhe só como ela abre a lata, olhe só com ela segura a vassoura, parece que não varre direito...” Enfim, saí com Liliana do último encontro e, como eu carregava um dicionário de bolso e por não nos lembrarmos da bendita palavra, fomos pesquisar os sinônimos de canhoto. Nem me atreveria a transcrever... palavras altamente preconceituosas, como o próprio Eduardo colocou ao me explicar o novo termo que até então desconhecia. Primeiro, quero ressaltar a incompetência dos autores de dicionários de bolso. Pesquisei na internet, procurando por canhoto, e nada. Também não sabia como escrevia. Bem, acho que isso não vem ao caso, o que importa no momento é que eu não sou mais CANHOTA ou ESQUERDINHA, com minha família costuma me chamar. Esquerdinha... kkkk. Esquerdinha também é algo altamente pejorativo e preconceituoso! Talvez por muito tempo eu tenha me sentido a verdadeira canhota. Ter me sentido não é o pior, o pior é ter absorvido e assumido essa posição contrária. Mas eu não tinha sessões de análise, e também não participava da Confraria dos Saberes! Essa coisa das palavras ditas e absorvidas, é muito louco. Hoje, com quase 3 anos de sessões de psicanálise eu tenho observado demais as palavras ditas. Meu vocabulário também não é lá muito extenso. Mas eu acho que sempre tive um quê de psicanalista, talvez. Isso sim tenho tentado absorver e tem me feito realmente bem, principalmente por ter certeza das coisas que busco neste momento da minha vida. Não vou me estender. O que tenho certeza agora é de que se eu não tivesse sido a canhota durante todo esse tempo, eu não estaria aqui compartilhando todos esses ricos momentos ou então abandonado minhas sessões. Eu tenho um sonho trabalhado em análise no qual aparecia um gato, dentro da casa de meus pais, até então a minha casa, arranhando a minha filha recém-nascida. Eu sou apaixonada por cachorros, mas tenho verdadeira admiração pelos gatos, mas não para criar. Assim, no sonho eu não queria maltratá-lo, ou algo assim, mesmo pelo que tinha feito. Aí eu cheguei a conclusão: vou colocar ele lá fora e alimentá-lo. Em sessão, cheguei a conclusão cabível no momento, mas sempre recordo esse sonho quando quero me livrar do que me impõem. Não sei se estou sendo clara. Mas estou freqüentemente colocando os gatos para fora de casa. Isso tem funcionado. Sempre relembro e repito pra mim mesma: deixe o gato do lado de fora.

Mariana Magalhães

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

"deixe o gato do lado de fora", diz mariana a si mesma. minha questao e deixar o gato do lado de dentro, ou medo de que ele escape...

18/11/06  
Anonymous Anônimo said...

Já ocupei posições contrárias...mas sempre retorno ao meu estado inicial...falta-me sustentar posições...avaçar e retro-ceder...ceder a quê?A quem?

19/11/06  
Anonymous Anônimo said...

me identifiquei logo com esse texto quando abri o blog, também sou "esquerdinho" ehehehe, outro dia um amigo me pediu para eu ensinar notas no violão a ele, quando ele viu que eu sou canhoto desistiu na hora ehehe. Sinistro.
Mas sempre gostei de ser canhoto...
Eu acho que eu também tenho um pensamento canhoto tb...
eu corto com o gume da faca virada prá dentro...

19/11/06  
Anonymous Anônimo said...

Hoje pediram p eu dividir um bolo em pedaços iguais... Qdo peguei a faca, a solicitante disse: eu n confio em canhoto. Eu, ainda analisando o que tinha ouvido, continuei a tentar dividir, mas logo identificando o meu sintoma, com sutileza, coloquei a faca no lugar e voltei p o meu lugar.

23/11/06  

Postar um comentário

<< Home