Por Íris Ferraz(nº5)
Esperando o elevador para subir até a sala de minha analista, chaga uma mulher com uma adolescente. A mulher fala e demonstra uma dificuldade, um problema, a filha fala: “- mãe, pára”. A mulher quer falar com toda dificuldade, a filha veta outra vez. A moça era bonita, tinha uma presença muito agradável, se vestia com autenticidade, parecia saber conviver com sua dificuldade ou talvez um problema mais complexo, não sei... Mas a submissão à filha me entristecia. O elevador chega , entramos (com mais 2 pessoas) a moça fala novamente, a filha a recrimina com gestos e então ela não diz mais nada. Penso que aquela filha tentava deixar a mãe invisível. Eu que tinha dirigido minha atenção de forma tão agradável àquela moça não pude descer sem antes me esbarrar nela, tocar em seu ombro e pedir desculpas. Afirmando sua existência.
Ainda não entendi pq esta situação ficou marcada em mim, mas escrever é i 1º passo para compreender.
Íris Ferraz

3 Comments:
O blog é o mundofreudiano na internet. Interessante.
Penso que ser invisível é mesmo um direito. Uma bela defesa. No colégio interno dirigido por freiras, que se a gente pensar bem, são seres que decidiram ficar invisíveis, sem singularidade, a ordem era não exibir, calar e comungar. Um direito é algo que supõe liberdade. Fica complicado quando alguém determina que se é obrigado a realizar aquilo que é um direito. Vira obrigação. Vira ditadura. Vira outra coisa.
Fiquei pensando na angustia desta criança diante de uma mãe que parece saber onde colocar seu desejo de mulher, e assim poder olhar para outro lugar...e assim poder romper com o silêncio incestuoso.
Correção no comentario anterior esqueci um importante não
Fiquei pensando na angustia desta criança diante de uma mãe que parece não saber onde colocar seu desejo de mulher, e assim poder olhar para outro lugar...e assim poder romper com o silêncio incestuoso.
Postar um comentário
<< Home