Por Eduardo Sande(nº6)
A pré‑potência em alguma forma é impotência. Uma potência forjada, protética, no que diz respeito ao desejo. O que não quer dizer que não contenha um saber fazer. Que pode ser exatamente o mesmo que em uma situação de potência. Lacan diz no seminário XXIV que o final de uma análise é saber fazer com seu sintoma. Saber fazer com seu sintoma é distinto de simplesmente saber fazer. O saber fazer pode estar no sintoma. Uma pessoa que trabalha ao extremo, um workaholic, sabe fazer, mas no seu sintoma.
Bem, o que isto tem a ver comigo? Bom, eu sei fazer. Mas, boa parte do meu saber fazer ainda se localiza no sintoma. Uma outra parte é saber fazer com o sintoma.
O dramático, entretanto, é que quando se sabe fazer no sintoma, passar a saber fazer com o sintoma, implica uma renúncia. Renuncia a uma potência. Potência onde o sujeito não está, pois é prepotência. Potência prévia ao sujeito.

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