segunda-feira, janeiro 15, 2007

Por Íris Ferraz(nº9)

Tudo Azul, Tudo Blue

Queria escrever de vermelho, a caneta foi a sugestão. Escrever de vermelho porque quero falar dos meus relacionamentos. No último o vermelho era cor presente no outro e faltava em mim e para o rubro se fazer presente, o outro precisou faltar. Quero pensar em meus comportamentos enquanto namorada, sou respeitadora, amorosa, cuidadosa; fiel de corpo e alma. Enfim havia encontrado alguém assim. O encaixe perfeito, só faltava o meu vermelho. Minha cor era o azul; e o bom foi ficando ruim, o azul, blue. Mas, o que me traz a última relação é a lembrança das cobranças, tudo dependia de mim. Se a relação estava boa, se estava ruim, invariavelmente era minha culpa. A única vez que senti um movimento do outro foi no término, em que dizia: -me diga o que eu posso fazer então.

-não sei, nem tudo depende de mim como você esperava.

Minha resposta esclarecia a relação e me tranqüilizava, pois sempre me sentia culpada. A questão é essa, não gosto que me culpem, já tenho facilidade pra isso. A mesma coisa aparece em minha dificuldade com cobranças, porque minha família faz isso o tempo todo e parece que tudo depende de mim. Meu primo tem uma música que se chama “Ta tudo azul, ta tudo blue. Eu dizia que era uma música psicanalítica, bela música, convida a “parar” pra poder escutar. Me encanta a contradição das expressões:

-ta tudo azul;

-ta tudo blue. Que parecia dizer o mesmo e na verdade é o oposto. Gostava do azul, sem saber do Blue.

Iris Reis Ferraz