Tudo Azul, Tudo Blue
Queria escrever de vermelho, a caneta foi a sugestão.
Escrever de vermelho porque quero falar dos meus relacionamentos. No último o vermelho era cor presente no outro e faltava em mim e para o rubro se fazer presente, o outro precisou faltar.
Quero pensar em meus comportamentos enquanto namorada, sou respeitadora, amorosa, cuidadosa; fiel de corpo e alma.
Enfim havia encontrado alguém assim. O encaixe perfeito, só faltava o meu vermelho.
Minha cor era o azul; e o bom foi ficando ruim, o azul, blue.
Mas, o que me traz a última relação é a lembrança das cobranças, tudo dependia de mim. Se a relação estava boa, se estava ruim, invariavelmente era minha culpa.
A única vez que senti um movimento do outro foi no término, em que dizia: -me diga o que eu posso fazer então.
-não sei, nem tudo depende de mim como você esperava.
Minha resposta esclarecia a relação e me tranqüilizava, pois sempre me sentia culpada.
A questão é essa, não gosto que me culpem, já tenho facilidade pra isso.
A mesma coisa aparece em minha dificuldade com cobranças, porque minha família faz isso o tempo todo e parece que tudo depende de mim.
Meu primo tem uma música que se chama “Ta tudo azul, ta tudo blue. Eu dizia que era uma música psicanalítica, bela música, convida a “parar” pra poder escutar.
Me encanta a contradição das expressões:
-ta tudo azul;
-ta tudo blue.
Que parecia dizer o mesmo e na verdade é o oposto.
Gostava do azul, sem saber do Blue.
Iris Reis Ferraz
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