quinta-feira, janeiro 25, 2007

Por Eduardo Sande(nº11)

Mais um fragmento de sonho. Uma dor no peito violenta. Sinto que morro. Há um desmanchamento concêntrico de mundo. Um sentimento de estranheza de como a morte se apresenta simples. Acordo. Uma sensação de tranqüilidade e bem estar. Anos depois, uma analisante traz um sonho parecido: está na rua, leva um tiro, sente que morre. Pensa: morrer é só isso. Ontem fui ao aniversário de uma amiga. Seu marido foi atropelado por uma moto (ia escrever pela morte). Os amigos brincam que não foi uma moto, foi uma motoqueira. O sexo bordeja o registro da morte. É como se dissesse: ‘já que a morte não adveio, vamos ao que interessa: o sexo’.
Hoje pela manhã, assisti ao filme ‘Crash’. Me parece uma estética forte (apesar de americanizada). As vidas correm ao longo da grande cidade, Los Angeles. A cada momento que o roteiro foca uma vida, que se cruza aqui e ali com as outras, vemos o lobo do homem agindo. Os personagens mudam de posição e seus atos, por mais terríveis que sejam, tem uma justificativa. Um consultório de psicanalista tem um pouco desta estética. A cada sessão, o universo faz curva em um discurso particular. Logo depois outro. Nós analistas, como a câmara a flutuar entre as cenas.
Eduardo Sande

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Lendo esse seu texto, pensei no gozo de morte...

25/1/07  

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